Como ortopedista especialista em pé e tornozelo, uma das queixas mais comuns que ouço no consultório é a dor no tornozelo.

Muitas vezes, após uma investigação cuidadosa, o diagnóstico é a artrose de tornozelo, também conhecida como osteoartrite.
Se você recebeu esse diagnóstico ou suspeita que possa ter essa condição, este artigo é para você.
Meu objetivo é explicar, em uma linguagem clara e acessível, o que é a artrose de tornozelo, por que ela acontece e, o mais importante, o que podemos fazer para tratar e melhorar sua qualidade de vida.
O que é a Artrose de Tornozelo?
Imagine a articulação do seu tornozelo como uma engrenagem perfeitamente ajustada.
Ela é formada pelo encontro de três ossos: a tíbia, a fíbula e o tálus.
Para que esses ossos deslizem suavemente uns sobre os outros, sem atrito, eles são revestidos por uma camada lisa e resistente chamada cartilagem articular.
A cartilagem funciona como um amortecedor, absorvendo o impacto e permitindo que você ande, corra e pule sem dor.

A artrose é o que acontece quando essa cartilagem se desgasta.
Com o tempo, ela pode se tornar mais fina, áspera e até mesmo desaparecer em algumas áreas.
Quando isso ocorre, os ossos começam a raspar uns nos outros, o que causa dor, inchaço e rigidez na articulação.
É um processo degenerativo, crônico e progressivo, mas isso não significa que não há o que fazer.
Qual o papel da Dra. Isadora no cuidado com a artrose de tornozelo?

A Dra. Isadora Guerra é médica formada pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), com residência médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas/SP.
Aperfeiçoou-se na área de Cirurgia do Pé e Tornozelo por meio de fellowship no Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, onde atualmente integra o corpo clínico. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé).
Atua como ortopedista e traumatologista nos serviços do Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Campinas/SP) e da Irmandade da Santa Casa de Vinhedo (Vinhedo/SP).
Por meio do seu consultório em Campinas, ela atua na melhora dos sintomas de dor e dificuldade de andar, associado a melhora da qualidade de vida!
Por que meu tornozelo desenvolveu artrose?
É interessante notar que a artrose de tornozelo tem um perfil diferente da artrose em outras articulações, como o joelho e o quadril.
Enquanto nessas outras articulações a causa primária (sem um motivo aparente, ligada ao envelhecimento) é mais comum, no tornozelo a história é outra.
Cerca de 78% dos casos de artrose de tornozelo são de origem pós-traumática. Isso significa que a grande maioria dos casos é consequência de uma lesão prévia.
As principais causas são:
- Fraturas: Uma fratura no tornozelo, mesmo que tratada adequadamente, pode alterar a mecânica da articulação e acelerar o desgaste da cartilagem.
- Fraturas que envolvem a superfície articular, como as fraturas do pilão tibial ou do tálus, têm um risco ainda maior de evoluir para artrose.

- Entorses de Repetição e Instabilidade Crônica: Sabe aquela sensação de “tornozelo frouxo” ou entorses que acontecem com frequência?
- A instabilidade crônica, causada por lesões nos ligamentos, leva a um movimento anormal na articulação.
- Esse “jogo” excessivo sobrecarrega a cartilagem e, ao longo dos anos, pode levar ao seu desgaste.
- Doenças Reumáticas: Condições como a artrite reumatoide podem causar uma inflamação crônica na articulação, que destrói a cartilagem.
- Outras Causas: Mais raramente, a artrose de tornozelo pode ser causada por hemofilia, gota, infecções articulares ou necrose avascular do tálus (morte do tecido ósseo por falta de suprimento sanguíneo).
Quais São os Sinais de Alerta? Reconhecendo os Sintomas
Os sintomas da artrose de tornozelo geralmente se desenvolvem de forma gradual. Os mais comuns incluem:
- Dor: É o sintoma principal.
- Geralmente, é uma dor profunda na articulação, que piora com a atividade física (caminhar, ficar em pé por muito tempo) e melhora com o repouso.
- Com a progressão da doença, a dor pode se tornar constante.
- Rigidez: Dificuldade para mover o tornozelo, especialmente pela manhã ou após períodos de inatividade.
- Inchaço: Pode haver um inchaço difuso na articulação, que piora ao final do dia ou após esforço.
- Diminuição da Amplitude de Movimento: Dificuldade para realizar os movimentos de dobrar o pé para cima (dorsiflexão) e para baixo (flexão plantar).
- Crepitação: Estalos ou rangidos na articulação ao se movimentar.
- Deformidade: Em casos mais avançados, a articulação pode se deformar, alterando o alinhamento do pé.
Como o Médico Chega ao Diagnóstico?

O diagnóstico da artrose de tornozelo é baseado em uma combinação de fatores:
- Sua História Clínica: Vou perguntar em detalhes sobre seus sintomas, quando começaram, o que melhora ou piora a dor, e se você já teve alguma lesão no tornozelo no passado.
- Exame Físico: Irei avaliar a amplitude de movimento do seu tornozelo, a presença de inchaço, pontos de dor e o seu padrão de marcha.
- Exames de Imagem:
- Radiografias (Raio-X): São o exame inicial e mais importante.
- As radiografias com carga (feitas com você em pé) nos permitem ver a diminuição do espaço articular (sinal de desgaste da cartilagem), a formação de osteófitos (os famosos “bicos de papagaio”), e outras alterações ósseas.
- Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética: Podem ser solicitadas em casos específicos para avaliar com mais detalhes a condição dos ossos e da cartilagem, ou para planejar um procedimento cirúrgico.
Opções de tratamento da artrose de tornozelo:
O tratamento da artrose de tornozelo é individualizado e estagiado, ou seja, começamos com as medidas mais simples e, se necessário, avançamos para as mais complexas.
O objetivo principal é aliviar a dor e melhorar a função.
Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)
Para a maioria dos pacientes, especialmente nos estágios iniciais, o tratamento conservador é a primeira linha de defesa. Ele inclui:
- Mudanças no Estilo de Vida: Perder peso, se estiver acima do peso ideal, é fundamental para diminuir a sobrecarga na articulação.
- Evitar atividades de alto impacto, como corrida e saltos, e substituí-las por atividades de baixo impacto, como natação, hidroginástica e ciclismo, também ajuda muito.
- Fisioterapia: É um pilar do tratamento.
- Um programa de fisioterapia bem orientado irá ajudar a fortalecer a musculatura ao redor do tornozelo, melhorar a amplitude de movimento e o equilíbrio.
- Medicamentos: Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser prescritos para aliviar a dor e a inflamação, especialmente durante as crises.
- Órteses e Palmilhas: O uso de palmilhas personalizadas, tornozeleiras ou sapatos com solado rígido pode ajudar a estabilizar a articulação e a distribuir melhor a carga, aliviando a dor ao caminhar.

- Infiltrações:
As infiltrações são um tratamento complementar crucial para a artrose de tornozelo, pois ajudam a aliviar a dor e a inflamação, melhorando a função e a qualidade de vida do paciente.
- Corticosteroides: Uma injeção de corticoide diretamente na articulação pode proporcionar um alívio rápido e eficaz da inflamação e da dor, embora o efeito seja temporário.
- O efeito pode durar semanas ou meses, dependendo do medicamento utilizado para realizar a infiltração e de sua dosagem.
- Viscossuplementação: A injeção de ácido hialurônico pode ajudar a lubrificar a articulação e a melhorar os sintomas em alguns pacientes, principalmente nos estágios iniciais da artrose.
- O efeito pode durar semanas ou até 01 anos, dependendo do produto utilizado.
Tratamento Cirúrgico
Quando o tratamento conservador não é mais suficiente para controlar a dor e a limitação funcional, a cirurgia pode ser indicada. As principais opções são:
- Artroscopia: Em casos selecionados, uma limpeza da articulação por videoartroscopia (cirurgia de vídeo) pode ser realizada para remover fragmentos de cartilagem soltos e pequeno ossículos que possam estar causando dor e bloqueio de movimento.
- Osteotomias: Se a artrose for causada por um desalinhamento do tornozelo, podem ser realizados cortes nos ossos (osteotomias) para corrigir o eixo e redistribuir a carga para uma área mais saudável da articulação.
- É uma cirurgia que visa preservar a articulação.
- Artrodese (Fusão do Tornozelo): Este procedimento consiste em unir os ossos da articulação (tíbia e tálus) para que eles se tornem um osso só.
- A artrodese elimina a dor ao eliminar o movimento na articulação doente.
- É um procedimento muito eficaz para o alívio da dor e, embora o movimento de dobrar o tornozelo para cima e para baixo seja perdido, os outros movimentos do pé são preservados, permitindo uma marcha funcional.
- Por muito tempo, foi considerada a cirurgia “padrão-ouro” para a artrose grave do tornozelo.
- Hoje em dia pode ser realizada tanto com o uso de haste, quanto parafusos cruzados.

- Artroplastia (Prótese de Tornozelo): Assim como existem as próteses de quadril e joelho, também existe a prótese de tornozelo.
- Nesta cirurgia, a articulação doente é substituída por um implante artificial que permite a manutenção do movimento.
- A artroplastia de tornozelo é uma opção cada vez mais utilizada, com excelentes resultados em pacientes bem selecionados.
- Hoje esse procedimento ainda não é realizado no SUS, porém diversos convênios já autorizam sua realização.

A decisão entre artrodese e artroplastia é complexa e deve ser discutida em detalhes com seu ortopedista, levando em conta sua idade, nível de atividade, qualidade óssea e a gravidade da deformidade.
Resumindo:
Viver com dor no tornozelo pode ser extremamente limitante, mas é fundamental entender que a artrose de tornozelo tem tratamento.
Desde medidas simples de mudança de estilo de vida e fisioterapia até procedimentos cirúrgicos modernos e eficazes, existe um arsenal de opções para aliviar sua dor e devolver sua qualidade de vida.
Se você se identificou com os sintomas descritos, não hesite em procurar ajuda, a Dra. Isadora atende em Campinas e região, e com certeza irá conseguir te ajudar!
Um diagnóstico correto é o primeiro passo para um plano de tratamento bem-sucedido. Lembre-se: você não precisa conviver com a dor.
Perguntas Frequentes
1. A artrose no tornozelo pode me aposentar?
A artrose de tornozelo, especialmente em estágios avançados, pode ser uma condição incapacitante que limita significativamente a capacidade de trabalho, principalmente em profissões que exigem longos períodos em pé ou caminhadas. A possibilidade de aposentadoria por invalidez depende de uma avaliação médica pericial do INSS, que levará em conta a gravidade da sua condição, a limitação funcional e o tipo de trabalho que você exerce. É fundamental ter um relatório médico detalhado para dar entrada no processo.
2. Terei que parar de praticar esportes se tiver artrose no tornozelo?
Não necessariamente, mas provavelmente você precisará adaptar sua rotina. Atividades de alto impacto, como corrida, futebol e vôlei, podem acelerar o desgaste e aumentar a dor. A recomendação é substituí-las por esportes de baixo impacto, que fortalecem a musculatura sem sobrecarregar a articulação, como natação, hidroginástica, ciclismo e musculação bem orientada. Converse com seu médico e fisioterapeuta para encontrar a melhor atividade para o seu caso.
3. A cirurgia é sempre necessária para tratar a artrose de tornozelo?
Não. A grande maioria dos casos, principalmente nos estágios iniciais e moderados, é tratada com sucesso através de medidas conservadoras. Isso inclui fisioterapia, perda de peso, uso de medicamentos, adaptação de calçados e infiltrações. A cirurgia só é considerada quando essas medidas não são mais capazes de controlar a dor e a limitação funcional, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente.
4. Entre a prótese de tornozelo (artroplastia) e a fusão (artrodese), qual é a melhor opção?
Não existe uma resposta única, pois a decisão é altamente individualizada. A artrodese elimina completamente a dor ao fundir a articulação, mas sacrifica o movimento de dobrar o pé para cima e para baixo. É um procedimento extremamente confiável e duradouro. A artroplastia preserva o movimento, o que pode resultar em uma marcha mais natural, mas o implante tem uma vida útil e pode precisar de revisão no futuro. A escolha ideal depende de fatores como sua idade, nível de atividade física, qualidade óssea e a gravidade da deformidade. Essa é uma das decisões mais importantes e deve ser tomada em conjunto com seu cirurgião.
5. O que acontece se eu não tratar a artrose no tornozelo?
Ignorar a artrose de tornozelo pode levar a uma piora progressiva dos sintomas. A dor pode se tornar constante e mais intensa, a rigidez e a perda de movimento aumentarão, e a articulação pode desenvolver deformidades graves. Isso leva a uma dificuldade cada vez maior para caminhar e realizar atividades diárias, impactando severamente a qualidade de vida e a independência. O tratamento precoce é a melhor forma de retardar a progressão da doença e manter a função da articulação por mais tempo.
Tenho 70y.
Uso regularmente Sodolac 400mg.
Caminhar logo ao acordar é custoso .Depois a circulação parece ajudar .Ficar de pé é custoso .Uso cubos de gelo 2x ao dia . O quadro apareceu do nada .
Quando estou melhor , faço caminhada na esteira 10 min.
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Maria, o uso contínuo de Sodolac não é recomendado, pode causar danos ao fígado, estômago e rins. O ideal é fazer uma avaliação correta pra podermos tratar objetivamente e sanar definitivamente sua dor!