A dor na lateral do tornozelo é uma queixa frequente em consultórios de ortopedia, muitas vezes confundida com entorses simples ou problemas articulares.
No entanto, quando essa dor se torna persistente, especialmente após atividades físicas ou longas caminhadas, um dos principais suspeitos é a Tendinopatia dos Fibulares.

Como Ortopedista Especialista em Pé e Tornozelo, vejo diariamente pacientes que sofrem com essa condição, desde atletas de alto rendimento até pessoas que apenas desejam manter uma rotina ativa.
Este guia foi elaborado para que você entenda o que é essa lesão, por que ela acontece e, o mais importante, como podemos tratá-la para que você recupere sua mobilidade e qualidade de vida.
💡O Que São os Tendões Fibulares e Qual Sua Função?
Para entender a lesão, precisamos primeiro conhecer a anatomia. Os tendões fibulares são dois: o fibular curto e o fibular longo.
Eles correm lado a lado na parte externa da perna, passam por trás do osso lateral do tornozelo (o maléolo lateral) e se inserem em diferentes pontos do pé.
- Fibular Curto: Insere-se na base do quinto metatarso (o osso na borda externa do pé).
- Fibular Longo: Cruza a planta do pé e se insere na base do primeiro metatarso (próximo ao dedão).

A principal função desses tendões é a eversão do pé (movimento de levar o pé para fora) e o auxílio na estabilidade lateral do tornozelo.
Eles agem como “rédeas” que impedem que o tornozelo vire para dentro, sendo fundamentais para o equilíbrio em terrenos irregulares e durante a prática esportiva.
💡Qual o papel da Dra. Isadora no tratamento da tendinopatia dos fibulares?

A Dra. Isadora Guerra é médica formada pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), com residência médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas/SP.
Aperfeiçoou-se na área de Cirurgia do Pé e Tornozelo por meio de fellowship no Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, onde atualmente integra o corpo clínico. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé).
Atua como ortopedista e traumatologista nos serviços do Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Campinas/SP) e da Irmandade da Santa Casa de Vinhedo (Vinhedo/SP).
Por meio do seu consultório em Campinas, ela atua na melhora dos sintomas de dor e dificuldade de andar, associado a melhora da qualidade de vida!
💡 Tendinite vs. Tendinose: Entendendo a Tendinopatia
O termo “tendinopatia” é um guarda-chuva que engloba diferentes estágios de sofrimento do tendão:
- Tendinite: É a inflamação aguda do tendão ou da sua bainha protetora (tenossinovite). Geralmente ocorre após um esforço súbito ou trauma.
- Tendinose: É um processo crônico onde não há mais uma inflamação ativa, mas sim uma degeneração das fibras de colágeno do tendão. O tendão se torna mais espesso, menos elástico e mais frágil.
Na maioria dos casos crônicos que chegam ao especialista, estamos lidando com a tendinose, o que exige uma abordagem de tratamento focada na regeneração e no fortalecimento, e não apenas no uso de anti-inflamatórios.
💡Por Que a Tendinopatia dos Fibulares Acontece?
Existem diversos fatores que podem sobrecarregar esses tendões. Identificar a causa é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
1. Fatores Biomecânicos (A Anatomia do Seu Pé)
Pessoas com o pé cavo (arco plantar muito alto) ou com o calcanhar varo (inclinado para dentro) têm uma predisposição natural.

Nesses tipos de pé, os tendões fibulares precisam trabalhar muito mais para estabilizar o tornozelo, o que leva à sobrecarga crônica.
2. Instabilidade Crônica do Tornozelo
Pacientes que sofreram múltiplas entorses e ficaram com os ligamentos frouxos acabam sobrecarregando os tendões fibulares, que tentam “compensar” a falta de estabilidade ligamentar.
3. Erros de Treinamento
O aumento súbito de volume ou intensidade nos treinos, o uso de calçados inadequados ou a prática de esportes em terrenos muito irregulares são causas comuns em corredores e jogadores de futebol.
4. Causas Anatômicas Específicas
Algumas pessoas possuem variações anatômicas, como um osso extra (os peroneum) ou um músculo acessório (fibular quarto), que podem causar atrito e inflamação.
💡Sinais e Sintomas: Como Identificar?
O sintoma clássico é a dor na face lateral (externa) do tornozelo, logo atrás ou abaixo do osso proeminente (maléolo lateral).

- Dor ao Iniciar a Atividade: A dor costuma ser pior nos primeiros passos e pode “aquecer” e melhorar durante o exercício, voltando com mais intensidade após o repouso.
- Inchaço Local: Pode haver um edema visível no trajeto dos tendões.
- Sensação de Instabilidade: O paciente sente que o tornozelo está “bobo” ou que pode virar a qualquer momento.
- Dor à Palpação: O toque direto sobre os tendões ou o movimento de levar o pé para fora contra resistência costuma reproduzir a dor.
💡 O Diagnóstico Especializado
Como Ortopedista Especialista em Pé e Tornozelo, o diagnóstico começa com um exame físico minucioso. Testamos a força dos fibulares, a estabilidade dos ligamentos e analisamos o seu tipo de pisada.
Para confirmar a extensão da lesão e descartar rupturas, utilizamos exames complementares:
- Ultrassonografia: Excelente para avaliar inflamações (tenossinovite) e a dinâmica dos tendões.
- Ressonância Magnética: É o padrão-ouro. Permite ver com detalhes a estrutura interna do tendão, identificar áreas de degeneração (tendinose) ou pequenas rupturas longitudinais (splits).
💡 Opções de Tratamento: Do Conservador ao Cirúrgico
A boa notícia é que a grande maioria dos pacientes (cerca de 80-90%) responde bem ao tratamento não cirúrgico.
Tratamento Conservador (O Caminho Inicial)
- Modificação de Atividades: Não significa parar totalmente, mas reduzir o impacto e evitar terrenos irregulares temporariamente.
- Fisioterapia Especializada: O foco deve ser em exercícios excêntricos (que fortalecem o tendão enquanto ele se alonga) e no treino de propriocepção (equilíbrio).
- Palmilhas e Órteses: Para pacientes com pé cavo ou instabilidade, palmilhas personalizadas com cunhas laterais podem “descarregar” o peso sobre os fibulares.
- Medicação: Anti-inflamatórios podem ser usados na fase aguda, mas seu uso crônico deve ser evitado.
🚨O Papel das Infiltrações 🚨
Em casos de dor persistente que não melhora com a fisioterapia, podemos lançar mão de infiltrações guiadas por ultrassom:
- Ácido Hialurônico (Viscossuplementação): Ajuda na lubrificação do tendão dentro da sua bainha, reduzindo o atrito.
- PRP (Plasma Rico em Plaquetas): Utilizado em casos de tendinose crônica para estimular a cicatrização biológica do tecido.
Quando a Cirurgia é Necessária?
A cirurgia é reservada para casos onde o tratamento conservador falhou após 3 a 6 meses, ou quando há rupturas importantes que comprometem a função. As técnicas incluem:
- Desbridamento: Limpeza do tecido degenerado e da inflamação ao redor do tendão.
- Reparo de Rupturas (Tenorrafia): Costura de rupturas longitudinais.
- Tenodese: Em casos onde um dos tendões está muito danificado, ele pode ser “ancorado” ao tendão saudável vizinho.
- Correções Ósseas: Se a causa for um pé muito cavo, pode ser necessário realizar osteotomias (cortes no osso) para realinhar o pé e evitar que o problema volte.
💡 Prevenção: Como Manter Seus Tendões Saudáveis?
A prevenção é baseada no equilíbrio. Se você é praticante de atividades físicas:
- Fortalecimento Regular: Não foque apenas nos músculos grandes; exercite os estabilizadores do tornozelo.
- Calçados Adequados: Troque seus tênis de corrida regularmente e use calçados que respeitem o seu tipo de pisada.
- Progressão Gradual: Respeite os limites do seu corpo ao aumentar a intensidade dos treinos.
Conclusão: Não Conviva com a Dor
A tendinopatia dos fibulares é uma condição tratável e, com o diagnóstico correto, as chances de retorno pleno às atividades são altíssimas.
O erro mais comum é ignorar a dor inicial e permitir que uma inflamação simples se transforme em uma degeneração crônica.
Se você sente dor na lateral do tornozelo, procure um Ortopedista Especialista em Pé e Tornozelo. Um plano de tratamento individualizado é a chave para seus próximos passos serem firmes e sem dor.
Sente dor na lateral do tornozelo ao caminhar ou correr? Não deixe o problema se agravar. Agende sua consulta em Campinas e receba uma avaliação especializada para recuperar sua saúde articular.
Referências:
- van Dijk, P. A., et al. (2018). The ESSKA-AFAS international consensus statement on peroneal tendon pathologies. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy.
- Deu, R. S., et al. (2022). Tendinopathies of the Foot and Ankle. American Family Physician.
- Roster, B., et al. (2015). Peroneal tendon disorders. Clinics in Sports Medicine.
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