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Dra. Isadora Guerra – Ortopedista e traumatologista em Campinas – SP

Meu Filho Anda na Ponta dos Pés: Um Guia Completo para os Pais sobre o Encurtamento do Tendão de Aquiles.

Por Que Meu Filho Anda na Ponta dos Pés?

É fundamental saber se o encurtamento é por hábito ou por uma questão médica. É isso que o ortopedista vai investigar.

O Tendão de Aquiles é como um cabo de guerra que liga a panturrilha ao calcanhar.

Ele é o principal motor que nos permite correr, pular e, crucialmente, colocar o calcanhar no chão.

O encurtamento do Tendão de Aquiles acontece quando esse “cabo” fica muito apertado, curto ou rígido. Na prática, isso impede que a criança consiga dobrar o pé para cima o suficiente.

O resultado? O famoso “andar de bailarina” ou a marcha na ponta dos pés.

Muitos pais se preocupam, e com razão. Embora seja normal nos primeiros passos (até os 2-3 anos), se persistir ou for muito rígido, é hora de procurar um especialista.

Quanto mais cedo agirmos, mais fácil e simples será o tratamento!

1. O Hábito da Marcha Idiopática (A Causa Mais Comum)

  • O que é: “Idiopática” é um nome chique para dizer que não há uma causa clara.

  • Acontece por quê: A criança é perfeitamente saudável, mas, por algum motivo (hábito, imaturidade do sistema nervoso, ou até sensibilidade), ela simplesmente prefere andar na ponta.

  • O lado bom: Nesses casos, a criança consegue encostar o calcanhar no chão se pedirmos ou a distrairmos. O tendão só fica realmente curto se o hábito persistir por muito tempo.

2. O Tendão Encurtado de Verdade

  • O que é: Neste caso, o tendão está rígido e curto.

  • Acontece por quê: Pode ser congênito (desde o nascimento) ou, mais frequentemente, instalado após anos de marcha na ponta. O tendão não cresceu o suficiente ou está muito tenso.

  • Sinal de alerta: A criança não consegue encostar o calcanhar no chão de forma alguma.

3. Ligação com Outras Condições (Causas Neurológicas)

  • O que é: O encurtamento é um sintoma de uma condição maior.

  • Acontece por quê: Algumas condições neurológicas (como Paralisia Cerebral, Distrofia Muscular ou Transtorno do Espectro Autista) causam espasticidade, que é uma rigidez e contração involuntária e constante dos músculos. Isso “puxa” o calcanhar para cima, encurtando o tendão.

🚨 Quando Chamar o Médico?

Se o seu filho continuar andando na ponta dos pés após os 3 ou 4 anos ou se ele nunca conseguir encostar o calcanhar no chão, procure um ortopedista.

Qual o papel da Dra. Isadora no cuidado com o encurtamento do tendão de aquiles?

A Dra. Isadora Guerra é médica formada pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), com residência médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas/SP.

Aperfeiçoou-se na área de Cirurgia do Pé e Tornozelo por meio de fellowship no Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, onde atualmente integra o corpo clínico. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé).

Atua como ortopedista e traumatologista nos serviços do Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Campinas/SP) e da Irmandade da Santa Casa de Vinhedo (Vinhedo/SP).

Por meio do seu consultório em Campinas, ela cuida de forma integral dos seus pequenos, com foco na prevenção, no tratamento das lesões ortopédicas e na reabilitação funcional, sempre priorizando a recuperação da mobilidade e o bem-estar.

O Que o Ortopedista Procura?

Não se preocupe, o diagnóstico é feito principalmente na consulta, sem a necessidade de muitos exames complicados.

Sintomas Que Vão Além da Ponta do Pé

Um tendão muito curto força o corpo a se desequilibrar. Você pode notar:

  • Dificuldade em Agachar: A criança tem dificuldade em manter o calcanhar no chão ao se agachar.

  • Quedas Frequentes: O equilíbrio fica comprometido.

  • Dor na Canela ou Pé: O excesso de esforço nos músculos e nos ossos causa dor (como tendinite ou fascite plantar).

  • Postura “Estranha”: Para compensar, a criança pode projetar o bumbum para trás e a barriga para frente (aumento da curva lombar).

O “Teste da Dobra do Joelho” (Teste de Silfverskiöld)

O médico fará um teste simples e crucial para descobrir a origem do problema. Pense nos músculos da panturrilha como dois grandes músculos, um em cima do outro:

  1. Avaliando com a Perna Reta: O médico tenta levantar o pé do seu filho em direção à canela (dorsiflexão) enquanto o joelho está esticado.
  2. Avaliando com a Perna Dobrada: O médico repete o movimento com o joelho dobrado.
  • O que o resultado significa?

  • Se a flexibilidade Melhora com o joelho dobrado: A rigidez está mais no músculo de cima (gastrocnêmio). O tratamento geralmente é mais focado em alongamento.
  • Se a flexibilidade Não Melhora: A rigidez está nos dois músculos (gastrocnêmio e sóleo). O encurtamento é mais profundo e pode exigir gessos ou cirurgia.

O ortopedista pode pedir Raio-X ou outros exames apenas se suspeitar que o problema vem dos ossos ou do sistema nervoso.

Como “Esticar” o Tendão Novamente?

O objetivo é sempre começar pelo tratamento mais suave, ganhando flexibilidade aos poucos.

A. O Tratamento “Suave” (Conservador)

Indicado para a maioria dos casos de hábito e encurtamento leve a moderado.

  • Fisioterapia e Alongamentos:
    • É a base de tudo. O fisioterapeuta vai ensinar alongamentos específicos para a panturrilha.
    • O Segredo: Fazer os exercícios em casa todos os dias, com consistência, é o que realmente faz o tendão ceder.

  • Gessos Seriados (A Técnica da “Escadinha”)
    • Usado quando o alongamento sozinho não basta.
    • Como funciona: O médico aplica um gesso que mantém o pé na posição mais alongada possível. A cada 1 ou 2 semanas, o gesso é trocado, e o pé é forçado um pouquinho mais para cima. É como subir uma “escadinha” de flexibilidade.
    • É indolor e muito eficaz para “resetar” o comprimento do tendão.

  • Botas Noturnas (Órteses):
    • São dispositivos (botas) que a criança usa para dormir. Elas mantêm o pé flexionado para cima, fazendo um alongamento suave e contínuo por várias horas.

B. O Tratamento Cirúrgico (A Solução Definitiva)

A cirurgia é considerada apenas quando o tratamento conservador falha ou se o encurtamento for muito grave e fixo, limitando a vida da criança.

  • A Cirurgia de Alongamento:
    • O procedimento é seguro e geralmente minimamente invasivo. O cirurgião faz pequenos cortes no tendão ou no músculo da panturrilha para permitir que a estrutura se alongue e o calcanhar volte para o chão.

  • O Resultado: O pé ganha a liberdade de movimento que não tinha.
  • Pós-Cirurgia: A criança usará um gesso ou bota por algumas semanas para garantir que o tendão cicatrize no novo comprimento, seguido por fisioterapia para fortalecer o músculo.

O Papel dos Pais e Dicas de Prevenção!

Você, pai e mãe, é a peça-chave para o sucesso do tratamento!

Como Ajudar em Casa:

  • Seja o Professor de Ginástica: Os alongamentos são o seu trabalho de casa. Crie uma rotina divertida para fazer os exercícios.

  • Brinque com o Chão: Estimule atividades que exigem o apoio total do pé, como:
    • Caminhar na rampa (subir e descer).
    • Brincar de passar por baixo de uma corda baixa, obrigando o agachamento com calcanhar no chão.
    • Andar com sapatos de apoio, evitando chinelos ou sapatos muito frouxos.

  • Comunicação com a Escola: Converse com a professora de educação física para que ela saiba da condição e possa reforçar o padrão de marcha correto.

  • Confiança no Processo: O tratamento pode levar tempo, mas a consistência evita a necessidade de intervenções mais invasivas.

O encurtamento do Tendão de Aquiles é tratável.

Com a detecção precoce de um ortopedista, a adesão à fisioterapia e, se necessário, o uso de gessos ou cirurgia, seu filho tem tudo para desenvolver uma marcha saudável e aproveitar todas as fases da infância sem limitações.

Leia também: Ortopedista de Pé e tornozelo: qual o nosso papel?

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