Se você tem Diabetes, sabe que o cuidado com os pés não é um luxo, é uma necessidade.
O Pé Diabético, e a complicação ainda mais séria chamada Artropatia de Charcot, geram muitas dúvidas e, sim, muito medo.
Infelizmente, no Brasil, essas condições são as principais causas de amputações não traumáticas.
O medo do paciente é real e justificado.

🔹 Qual o papel da Dra. Isadora no tratamento do pé diabético:

A Dra. Isadora Guerra é médica formada pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), com residência médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas/SP.
Aperfeiçoou-se na área de Cirurgia do Pé e Tornozelo por meio de fellowship no Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, onde atualmente integra o corpo clínico. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé).
Atua como ortopedista e traumatologista nos serviços do Hospital Celso Pierro – PUC Campinas, do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Campinas/SP) e da Irmandade da Santa Casa de Vinhedo (Vinhedo/SP).
Por meio do seu consultório em Campinas, ela cuida de forma integral dos pacientes, com foco na prevenção, no tratamento das lesões ortopédicas e na reabilitação funcional, sempre priorizando a recuperação da mobilidade e o bem-estar. Quando se trata de Pé diabético e Artropatia de Charcot, é a especialista ideal para realizar o tratamento.
Nosso compromisso é oferecer soluções modernas para que você volte a ter pés saudáveis e sem limitações.
Se você está em Campinas e está preocupado com a saúde dos seus pés, não hesite em marcar uma consulta com ela.
🔹Pé diabético: entendo a raiz do problema!
Para entender o Pé Diabético, precisamos saber que o açúcar alto (glicemia) danifica duas áreas essenciais do seu corpo: os nervos e a circulação.
O dano nos nervos causa a perda de sensibilidade, como se seus pés estivessem permanentemente “anestesiados”. Você pode pisar em algo, usar um sapato apertado ou ter uma bolha, e simplesmente não sentir nada.
O Sintoma: Você pode sentir formigamento, choques, ou aquela sensação de “meias calçando o pé” o tempo todo.
O Risco: Sem sentir a dor (que é um alarme natural), lesões pequenas viram grandes feridas que podem infeccionar rapidamente.
O Problema da Cicatrização (Má Circulação)
O Diabetes também prejudica a circulação sanguínea. Seu sangue, que leva oxigênio e “soldados” de defesa (células de cicatrização), tem dificuldade em chegar ao pé.
- O Risco: Uma ferida pequena demora muito para fechar e pode evoluir para uma infecção grave (pé infeccionado).
- O Sintoma: Pele do pé mais fria, palidez ou, às vezes, dor nas pernas ao caminhar (claudicação).
Sinais de Alerta para Diabéticos: Se você tem Diabetes, olhe para os seus pés todos os dias. Se notar qualquer ferida, bolha, ou calo novo, não espere. Procure um especialista imediatamente.

🔹Artropatia de Charcot: como acontece a destruição óssea
A Artropatia de Charcot é uma complicação grave e rápida do Pé Diabético.
É quando, devido à falta de sensibilidade e a traumas repetidos, os ossos e as articulações do pé começam a se destruir e a desmoronar.

Imagine que os ossos do seu pé, que já estão fragilizados, sofrem pequenos choques a cada passo.
Como você não sente dor, continua andando, e esses choques viram fraturas.
Seu corpo tenta curar, mas a inflamação é tão intensa que o osso se deforma antes de curar.
O resultado é um colapso da estrutura do pé, onde o arco desaparece e o pé fica com um formato abaulado.
Isso cria um “bico” na sola, que irá forçar a pele e, inevitavelmente, criar uma úlcera que não fecha.
Sinais de Urgência (Atenção Máxima!)
Se você é diabético, fique atento a esses sinais, pois eles indicam que o Charcot pode estar ativo:
- Inchaço Súbito: Seu pé ou tornozelo incha muito, de repente, e parece maior que o outro.
- Calor e Vermelhidão: A área está quente ao toque e vermelha, mas você não se lembra de ter batido.
- Deformidade Rápida: O formato do seu pé está mudando, o arco está “desabando”.
O Tempo É Osso: Na fase aguda do Charcot, cada dia conta. O tratamento precisa ser iniciado em horas, não em semanas, para impedir a destruição óssea.
🔹Úlceras no pé diabético? E agora?
As úlceras, ou feridas abertas, são o sinal mais comum e mais perigoso de que o Diabetes está causando problemas sérios.
Elas surgem porque o pé perdeu a sensibilidade (neuropatia) e sofreu pressão ou atrito excessivo, geralmente por um calçado inadequado ou por pisar em algo.

Como as Úlceras se Formam e o Risco de Amputação?
Lembre-se: por não sentir dor, você pode ter uma ferida e ela pode evoluir por dias ou semanas sem que você perceba a gravidade.
- Começa com um Calo: A pressão repetida em um ponto do pé cria um calo. Sem a dor para avisar, você continua pressionando.
- Vira uma Bolha: Por baixo do calo, a pele se rompe, criando uma bolha ou uma lesão interna.
- Abre a Porta: A úlcera se forma quando a ferida se abre para a superfície.
- Seus pés estão em contato constante com o chão e sapatos, o que faz desta uma porta aberta para bactérias.
O Risco de Infecção: Com a má circulação (falta de sangue para combater os germes), uma simples úlcera pode rapidamente se aprofundar e atingir os ossos (osteomielite), levando a infecções graves que, em último caso, podem exigir a amputação.
O Tratamento Ortopédico das Úlceras
O manejo de úlceras exige a união de esforços entre o ortopedista especialista e o time de feridas (enfermagem especializada):
- Alívio da Pressão: Nenhuma úlcera irá cicatrizar se você continuar pisando nela. Usamos órteses, botas especiais ou o próprio gesso para tirar toda a pressão da área da ferida.
- Desbridamento: Remoção cirúrgica e cuidadosa do tecido morto ou infectado para que o tecido saudável possa crescer.
- Identificação da Causa: Se a úlcera foi causada por uma deformidade óssea (um “osso pontudo”), podemos precisar de cirurgia para aplainar ou realinhar a área e evitar que a ferida volte.
Dica Essencial: Inspecione a sola dos seus pés usando um espelho de mão, ou peça ajuda a um familiar, todos os dias. Uma úlcera tratada em 24 horas tem um prognóstico muito melhor.
🔹Como a Imobilização (O Repouso Forçado) Salva Seu Pé e Interrompe a Destruição?
Quando o Charcot está ativo, a única maneira eficaz de parar a destruição é proibir o apoio.
Para isso, usamos o que é considerado o padrão-ouro mundial: o Gesso de Contato Total ou a Bota imobilizadora,

Por que imobilzar salva seu pé?
A imobilização envolve seu pé e parte da perna. Ele é o seu “colete à prova de balas” e funciona assim:
- Redistribui o Peso: Ele não deixa a pressão do seu corpo cair nos ossos e articulações frágeis.
- Em vez disso, a pressão é distribuída para a parte lateral da perna e outras áreas seguras.
- Imobilização Perfeita: Estabiliza os ossos que estão fraturando, dando a eles a chance de “soldar” na posição certa.
- Garante o Repouso: É a parte mais importante. Como o gesso não é removível (só o médico tira), ele garante que você realmente tire a carga do pé, o que a bota removível não consegue fazer.
O tratamento com imobilização é longo, podendo durar de 3 a 12 meses, mas é o que garante que o processo inflamatório pare e que seu pé se estabilize com o mínimo de deformidade possível.
Importante: Se você está usando a imobilização, o uso de muletas, andador ou cadeira de rodas é obrigatório. O pé imobilizado não pode ser apoiado até que o seu médico autorize o apoio.
🔹Pé diabético: quando operar?
Muitas vezes, a deformidade causada pelo Charcot já está consolidada, ou ela é tão grave que impede o uso de calçados ou cria uma proeminência óssea que causa úlceras recorrentes. Nesses casos, a cirurgia é a melhor opção.
Quando a Cirurgia é Indicada?
A cirurgia não é a primeira opção, mas é necessária para:
Recuperar a Forma: Alinhar o pé e o tornozelo para que você consiga usar órteses e sapatos protetores.
Eliminar Úlceras: Corrigir a forma do pé que está forçando a pele e criando feridas que não fecham.
Estabilidade: Devolver a firmeza ao pé, que ficou totalmente instável após o colapso ósseo.
A cirurgia é um trabalho de reconstrução delicado, chamado Artrodese Modelante.
Nela, o Dra. Isadora realinha os ossos do pé, elimina os excessos ósseos que causam pressão e usa implantes fortes (placas e parafusos) para fixar o pé e o tornozelo na posição correta.
Em alguns casos, fazemos o alongamento do Tendão de Aquiles para tirar a pressão da parte da frente do pé, um ponto comum de úlceras.
Por ser uma cirurgia complexa, ela exige um tempo de recuperação mais longo, com imobilização e repouso de apoio por meses, garantindo que a “solda” óssea (consolidação) ocorra perfeitamente.

🔹A Importância do Acompanhamento Multidisciplinar!
O Pé Diabético e a Artropatia de Charcot não são problemas de um único osso ou articulação; são doenças complexas que envolvem circulação, nervos e metabolismo.
Por isso, não existe tratamento de sucesso feito por um único médico.
Meu papel como Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo é ser o Coordenador Ortopédico do seu tratamento. Eu cuido da parte óssea, das deformidades, das cirurgias e da imobilização.
No entanto, para o seu tratamento ser completo, eu trabalho em parceria contínua com outros especialistas, garantindo que você tenha o melhor resultado possível:
| Especialista | Foco no Tratamento |
| Endocrinologista | Controle Glicêmico: Garantir que o açúcar no sangue esteja nos níveis corretos, pois essa é a principal arma contra a progressão da doença. |
| Cirurgião Vascular | Fluxo de Sangue: Avaliar e tratar a má circulação. O sangue é essencial para a cicatrização de feridas e a “solda” dos ossos. |
| Enfermeiro (Estomaterapeuta) | Cuidados com Feridas: Tratamento profissional e avançado das úlceras para evitar infecções e acelerar o fechamento da pele. |
| Fisioterapeuta | Reabilitação: Ajuda a recuperar a força e a mobilidade após longos períodos de imobilização (gesso) ou cirurgia. |
Se você chegou até aqui, é porque você se importa profundamente com a sua saúde e a saúde dos seus pés.
Eu sei que as informações sobre Pé Diabético e Artropatia de Charcot podem ser assustadoras, mas quero reforçar uma mensagem: existe tratamento eficaz, e a amputação não é a única resposta.
Meu trabalho é aplicar a Ortopedia de alta complexidade para estabilizar seu pé, eliminar as úlceras e corrigir as deformidades, restaurando sua segurança e sua qualidade de vida.
Com o diagnóstico precoce, a imobilização correta e a coordenação de um time de especialistas, podemos reverter o quadro e garantir que você continue caminhando sem dor e sem limitações.
O próximo passo é seu!
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